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Christian Reis
<kiko at async.com.br>
Uma aplicação hípertexto apresenta seu conteúdo de forma não-linear,
utilizando regiões do documento como ligações para outras regiões e
outros documentos. Em contraposição, o conteúdo mais comum hoje, que é
impresso, é bastante linear e possui uma estrutura puramente
seqüencial.
Embora exista, hoje, uma grande série de aplicações baseadas em hípertexto, ainda existe muito pouco trabalho empírico comparando a usabilidade de hípertexto com outras formas de publicação de conteúdo; um estudo empírico é uma forma excelente de se obter boas idéias sobre como projetas boas interfaces.
O objetivo do trabalho é fazer um estudo empírico comparando mecanismos de navegação diferentes para uma mesma aplicação: um visualizador desenvolvido para programas literários.
A área de problema escolhida foi um visualizador para Programação
Literária (Literate Programming) é uma forma de programação
desenvolvida por Donald Knuth (Knuth, 1984) para melhorar a
compreensão de programas de computador. Programas Literários são
estruturados em duas camadas acima do código em si: primeiro, há uma
estrutura seqüencial que expõe o programa de forma simples e direta.
Além desta, há uma estrutura hierárquica que busca mostrar quais seções
do programa usam quais outras seções.
Nos experimentos conduzidos, usuários foram submetidos a uma série de
perguntas enquanto navegavam pelo código de um programa-exemplo. Foram
realizados dois experimentos; o primeiro, utilizando um programa curto
elaborado por Knuth para demonstrar os aspectos chave da programação
literária (implementando uma tabela hash), submeteu 30 anos de graduação
com pelo menos um ano de experiência em programação Pascal a uma série
de perguntas objetivas a respeito do funcionamento do programa. Cada
tipo de navegador diferente foi experimentado por 10 destes alunos.
O segundo experimento utilizou outros 20 alunos, 10 em cada tipo de
navegador. O primeiro navegador era o mesmo navegador hípertexto
utilizado no primeiro experimento; o segundo navegador, no entanto,
oferecia um mapa da estrutura hierárquica do software para auxiliar a
navegação.
Os diferentes tipos de interface de navegação estão especificados abaixo.
| Navegador | Tarefas Corretas | Tarefas por Hora |
| Hípertexto | 13.5 (.93) | 49.2 (13.9) |
| Scrolling | 13.2 (1.2) | 68.1 (21.0) |
|---|---|---|
| Dobramento | 13.1 (1.1) | 56.7 (12.9) |
| Navegador | Tarefas Corretas | Tarefas por Hora |
| Hípertexto com Mapa | 13.7 (1.3) | 69.1 (25.9) |
| Hípertexto com Mapa | 13.3 (1.7) | 51.8 (11.8) |
| Hípertexto | 73% |
| Scrolling | 67% |
|---|---|
| Dobramento | 46% |
A vantagem significativa que usuário usando navegadores
scrolling em comparação com os usuários hípertexto são
surpreendentes: examinando os logs do sistema, é visível que ambos
tenham se comportado de forma muito semelhante: navegando para
outras seções através das ligações "Usado em" e "Usa".
Aparentemente, a maior diferença entre os dois métodos é que os usuários
de scrolling tenham acesso imediato a qualquer seção que
desejem, enquanto os usuários hípertexto tenham que navegar por meio das
ligações entre documentos para chegar onde desejam.
O segundo experimento reforçou a idéia de que os usuários de hípertexto tenham necessidade de apoio navegacional: as proporções muito melhoradas de entendimento reforçaram a idéia de que um mapa é de utilidade crucial.
Seria bastante interessante ver este tipo de pesquisa atualizada para os navegadores modernos, fazendo um estudo de navegabilidade de sites consolidados em tecnologias que são padrão na Web. O artigo não faz sugestão a pesquisa continuada.